Destaque

O que são as bancadas temáticas da Câmara e o que é Centrão?

Para entender como funciona o jogo político dentro do Congresso Nacional


A Câmara dos Deputados é uma das casas legislativas do Congresso Nacional. É o local de trabalho dos 513 deputados federais eleitos pela população a cada quatro anos. Como já explicamos por aqui, esses parlamentares são encarregados de propor ideias que se tornem em leis, aperfeiçoar as legislações já existentes e apreciar projetos e medidas provisórias apresentadas pela presidência da República. Mas em um espaço com tantas pessoas, como funciona a articulação para se chegar a consensos?

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Seu ‘Lauda 7’ de domingo, 28 de junho de 2020

Chegou a hora de atualizar os principais acontecimentos do noticiário político brasileiro na semana de 21 a 28 de junho de 2020. Assista ao ‘Lauda 7’ de hoje, que traz entre outros destaques:

► Bolsonaro nomeia Carlos Decotelli para comandar o MEC;

► Senado aprova novo marco do Saneamento Básico;

► Governo firma parceria com Universidade de Oxford para produção local de vacina promissora contra o novo coronavírus;

Em busca da perfeição

A compilação dos melhores cliques por três dos principais fotojornalistas de política no Brasil


Você já se viu extasiado ou surpreso com alguma fotografia ilustrando uma capa de revista ou a primeira página de um jornal? Um clique surpreendente que captou a emoção de um acontecimento e que você tem certeza que seria impossível de repeti-lo. Estamos falando da beleza e da arte de uma profissão muito admirada em nosso meio: o fotojornalismo.

“Repórter fotográfico” costuma ser o título da sua identidade funcional nos veículos, o bom e velho crachá. No bolso do colete ou na primeira vaga da carteira, esse cartão estampando a profissão vai além do cargo. Expressa um trabalho árduo que mistura sensibilidade, esforço físico, conhecimento teórico e, claro, habilidades com a câmera. Com cada vez menos botões, esses equipamentos demandam menos traquejo manual, e mais criatividade e marca de autoria nos cliques de quem trabalha. Enquanto meta, a perfeição pode até parecer utopia, mas para os bons fotojornalistas esse adjetivo caminha paripassu aos seus trabalhos.

A obra tem preço sugerido de R$ 37 e foi publicada em maio de 2008, mas nem por isso deixa de ser atual. (Foto: Reprodução/Publifolha)

“Caçadores de Luz: Histórias de Fotojornalismo” (Publifolha, 2008) é uma excelente pedida de leitura para quem almeja trabalhar nessa área ou nutre admiração por esses trabalhadores. O livro é assinado pelos irmãos Sérgio Marques, Alan Marques e Lula Marques, três fotógrafos renomados da cobertura política no Brasil. O trio se dedica à cobertura imagética da capital federal desde meados da década de 1980 e, igualmente, acompanharam muitos dos personagens que escreveram a história do país.

Sérgio passou por “O Globo”, Alan pelo “Jornal de Brasília” e Lula pela “Folha de S. Paulo”. Em todos os veículos, os três compartilham o desafio de produzir fotografia capaz de surpreender em um universo de declarações dos políticos do parlamento, fazer imagens diferentes. É impossível não se pegar imaginando quão maior é essa preocupação atualmente, na era das câmeras no bolso de praticamente todas as pessoas, a um clique nos smartphones.

A ex-ministra da Economia, Zélia Cardoso de Mello dirige olhar triste a uma carta de apoio. Relato de Sérgio mostra que o clique foi combinado. (Foto: Sérgio Marques)

Em uma das passagens, Sérgio Marques conta uma passagem inusitada. Após uma traumática passagem pelo antigo Ministério da Economia, do governo Collor (1990-1992), Zélia Cardoso de Mello estava deixando a pasta. Sérgio liga para Zélia e pede uma chance de registrar uma imagem diferente dos demais profissionais, e é convidado para um café da manhã. Entre goles de café, uma fotografia que ilustrou a capa de “O Globo” no dia seguinte. A economista está cabisbaixa sentada em um sofá enquanto lê uma carta de apoio. Com a ajuda da semiótica, velha parceira dos estudantes de jornalismo, podemos entender a profundidade do clique diferenciado.

O presidente Fernando Henrique Cardoso, aguarda Luiz Inácio Lula da Silva subindo a rampa do Palácio do Planalto no dia de sua posse, em 2003 (Foto: Lula Marques)

Para não se deixar enganar que esta seja uma profissão apenas das flores, também estão os registros históricos das fotografias mais complicadas. Lula Marques conta a vez em que foi parado pela polícia por excesso de velocidade. O embate com um policial terminou com um tapa do agente em seu rosto e a detenção na delegacia. O motivo? A correria para entregar a fotografia a tempo do fechamento da edição do dia seguinte. O fotógrafo conseguiu um feito praticamente inédito: usou o computador da delegada para enviar as imagens à redação, em São Paulo.

Sombra dos personagens ao fundo sugere tensão entre eles, dias antes da renúncia do ex-ministro José Dirceu, em 2005, apontado como um dos líderes do esquema do Mensalão (Foto: Lula Marques)

Estas e muitas outras histórias fazem com que a leitura de “Caçadores de Luz” seja única. A linguagem do texto tem leves oscilações, totalmente compreensíveis por ter sido escrito por três pessoas. De um modo geral, os relatos se assemelham a crônicas e, por isso, a leitura é muito agradável. 

Em sabatina no Senado que terminou confirmando sua indicação, o Procurador Geral da República, Augusto Aras, ergue um exemplar da Constituição Federal de 1988 (Foto: Lula Marques)

Para quem é ou não do meio jornalístico, leitura e investimento mais do que recomendados!

Quatro presidentes brasileiros já foram afastados por impeachment

Recurso é previsto por legislação de 1950 e abrange dois poderes da República


Impeachment é o procedimento que uma autoridade passa ao cometer um crime. No Brasil, a lei que regulamenta o processo de impedimento, assim como as autoridades que podem sofrê-lo e os atos que são criminalizados é a lei nº 1.079/1950, aprovada durante o Governo Dutra

Quais cargos podem sofrer impeachment?

  • Chefes do Executivos em âmbito federal, estadual e municipal, e seus respectivos vices;
  • Ministros de Estado; isto é, os cargos de livre escolha do Presidente para auxiliar na administração estatal.
  • Ministros do Supremo Tribunal Federal;
  • Procurador Geral da República.

Quais os crimes?

Os atos enquadrados na lei são chamados de crimes de responsabilidade. que conforme define Gabriel Marques, professor de Direito da Universidade Federal da Bahia (UFBA), para o site JusBrasil:

O crime de responsabilidade representa, em verdade, uma infração político-administrativa […] São exemplos o caso de o Presidente da República atentar contra a Constituição, contra o exercício dos direitos, contra a probidade na administração, ou quanto ao cumprimento de leis e decisões judiciais.

Com a palavra, a história brasileira

Ainda que seja dito que o primeiro presidente brasileiro a sofrer impeachment fora Fernando Collor de Mello (PTC-AL), antes dele, dois outros presidentes foram destituídos de seus cargos pelo Senado Federal. São eles:

Vice de Getúlio, Café Filho anunciou ao parlamento a intenção de fazer um governo de transição, o que não o poupou das turbulências políticas no curto período em que esteve na cadeira presidencial (Foto: Acervo/O Globo)

Café Filho, vice de Getúlio Vargas, assumiu a presidência após o suicídio do mandatário em agosto de 1954. Mas por razões de saúde, teve que ausentar-se de suas funções, que seriam assumidas por Carlos Luz, presidente do Senado à época.

Os acontecimentos são confusos. Carlos Luz permaneceu apenas 3 dias como presidente, nesse período demonstrou não querer deixar que Juscelino Kubitschek assumisse a Presidência, pelo qual fora eleito. O então Ministro da Guerra General Teixeira Lott, sabendo de uma possível movimentação nos quarteis resolveu articular um contragolpe preventivo.

Além de usar as tropas do Exército para prevenir qualquer movimento que ameaçasse o poder democrático, entregou ao Senado um pedido para que Carlos Luz fosse impedido. Em tempo recorde, o poder legislativo aprovou o pedido a 11 de novembro.

O mesmo se deu com Café Filho, que demonstrou intenções de voltar ao cargo que se afastara. Lott o também viu como ameaça; também sofreu um impedimento pelo Senado.

Ambos os processos não seguiram a Lei do Impeachment, de 1950. Algo só aconteceria em 1992, com Collor, seguindo todos os ritos estabelecidos. Ainda que ele tenha renunciado nesse meio tempo, o impeachment prosseguiu, e seus direitos políticos foram cassados por oito anos.

A última destituição por vias legais no Brasil foi de Dilma Rousseff (PT-MG), em 2016, pelas “pedaladas fiscais”, um termo figurado para mudanças de contabilidade que permitem a um governo estar dentro das chamadas metas fiscais do orçamento aprovado pelo parlamento no ano anterior. O tema é controverso e tem opiniões divididas tanto no Legislativo como no Judiciário.

Votação turbulenta no dia 17 de abril de 2016 aprovou o parecer da Câmara dos Deputados pelo impeachment de Dilma Rousseff e enviou processo ao Senado Federal, que a deporia do cargo em 31 de agosto do mesmo ano (Foto: Cristiano Mariz/VEJA)

Também seguiu os procedimentos que a lei estabelece, embora toda a motivação seja envolta em controvérsias. Lideranças da oposição afirmam que houve um “golpe parlamentar”, com grande articulação do então vice-presidente Michel Temer (MDB-SP). Apesar de aprovada a cassação do mandato de Dilma, seus direitos políticos foram mantidos, e ela tentou uma vaga, sem sucesso, para o Senado por Minas Gerais nas eleições de 2018.

O atual presidente, Jair Bolsonaro (sem partido) tem sido alvo de diversos pedidos de impeachment, mas ainda nenhum foi descartado, embora não se tenha em vista quando, e se vão, ser aceitos algum desses pedidos por Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara dos Deputados. 

Seu Lauda 7 de domingo, 14 de junho de 2020

Fique por dentro das notícias da semana de 7 a 14 de junho de 2020 na política brasileira com o Lauda 7. Você confere nesta edição:


▶ Ministro Alexandre de Moraes determina retorno da divulgação dos dados totais sobre a CoviD-19 no Brasil;
▶ Operação Para Bellum, da Polícia Federal, apura suposta fraude na compra de respiradores para o sistema de saúde do Pará;
▶ Liminar do ministro do STF, Luiz Fux, esclarece que as Forças Armadas não podem agir como ‘poder moderador’ em eventual crise entre os poderes;
▶ Ato pró-governo em Brasília ataca prédio do STF com rojões e fogos de artifício;
▶ Tarde de domingo marcada por novos protestos a favor e contra o governo na cidade de São Paulo;
▶ Instituto Butantan anuncia parceria com laboratório chinês para o desenvolvimento de vacina para a CoviD-19; estudos para a etapa final com testes do imunizante em 9 mil paulistas começa em julho.

‘Os Presidentes’ para conhecer a formação da política brasileira nos últimos 130 anos

Livro do jornalista Rodrigo Vizeu é desdobramento de podcast que fez sucesso em jornal


Certo dia, assistindo a um documentário que, em breve, também será tema de uma resenha por aqui, permaneci reflexivo por um bom tempo ao ouvir o narrador do programa cravar um dado importante mas que jamais tinha parado para calcular: somente metade dos presidentes do Brasil foram eleitos pelo povo e apenas de um terço deles concluíram seus mandatos. A profundidade dos números impressiona. Sabemos que a democracia no Brasil foi construída a duras penas sobre episódios de autoritarismo e rupturas institucionais, mas pouco paramos para refletir em quanto tempo isso se refletiu na história.

Na escola, estudamos intensamente e sob diferentes matizes alguns períodos como o Brasil Colônia, o Brasil Império, a República da Espada, a República Oligárquica, o Estado Novo e outros períodos políticos que moldaram a sociedade e a cidadania nacional como as conhecemos. Mas o que levou à ruptura entre uma fase e outra? Qual foi a conjuntura de cada governo que permitiu o encerramento de um ciclo e o início de outro? Bem, ganhamos um importante aliado para ajudar a nos entender tudo isso.

No segundo semestre de 2018, a emergente cultura do podcasting no Brasil trouxe à luz um informativo semanal muito bacana produzido pelo jornal Folha de S. Paulo. O “Presidente da Semana” teve a editoria do jornalista Rodrigo Vizeu para contar, resumidamente, o mandato de cada um dos chefes do Poder Executivo, desde a Proclamação da República. O produto se tornou um sucesso, e tão logo o conturbado período eleitoral que corria em paralelo terminasse, deu espaço a um livro. “Os Presidentes: a história dos que mandaram e desmandaram no Brasil, de Deodoro a Bolsonaro” foi publicado em 2018, pela editora Harper Collins.

Como quase jornalista, acredito que em termos de narrativa, não há nada comparável a um livro. Mas entre essas obras, existem diferenciais importantes que tornam uma leitura mais interessante do que outras. De pronto, Vizeu revisita os 130 anos da República, período em que o Brasil já foi comandado por quase 40 presidentes diferentes.

O livro está disponível nas principais livrarias em versão física, por R$ 33,90, e digital pelo e-reader Amazon Kindle (Foto: Reprodução)

O primeiro desafio que imaginei para “Os Presidentes” foi o fato de que, salvas raras exceções, não existem grandes ciclos de governo na história, e que seria difícil escrever sobre um período tão longo. Todos sabemos que a descontinuidade de políticas públicas é uma marca lamentável dos governos no Brasil. Mas a obra segue por um caminho diferente. Vizeu buscou explorar as minúcias – até mesmo da vida particular – dos brasileiros que ocuparam a cadeira presidencial.

O jornalista utiliza as palavras para caracterizar um extenso trabalho de levantamento de informações sobre todos os governos de 1889 a 2019. Aqui se destaca uma virtude de Rodrigo Vizeu ao garantir um material bastante plural e bem articulado, que relaciona com maestria uma coloquialidade de texto e a diversidade de fontes. O livro tem um estilo que varia entre a formalidade exigida para a narração dos fatos no jornalismo e alguns pitacos bem humorados que tornam “Os Presidentes” um material único. Sou testemunha de que esta é uma leitura proveitosa para uma tarde de domingo.

O tomo de 336 páginas tem leitura rápida quando percebemos, graças a uma sacada do autor, como os 33 capítulos de histórias estão inter-relacionadas. Acontecimentos e personagens que se repetem, desfechos inesperados, os fatos crus e diretos tal como aconteceram. Naturalmente, podemos notar um viés interpretativo bastante marcante, e que contribui para que haja uma ponte leve e até mesmo bem-humorada entre os mandatos que Vizeu conta.

Lugares-comuns costumam ser peremptórios, não dando margem a transigências. Quem vê a política e a história sob o prisma das certezas absolutas prefere enxergar o mundo em termos de heróis ou vilões, bons e maus, amigos e inimigos. Não desfruta das nuances que tornam os personagens e os momentos históricos mais instigantes.

OS PRESIDENTES (2019), P. 14

“Os Presidentes” é um material muito interessante de consulta para quem quer estar por dentro do que aconteceu no passado e determinou os caminhos que levaram à formação política atual do nosso país. No Brasil, os acontecimentos se repetem de forma surpreendentemente constante nos mandatos presidenciais, diga-se de passagem. É o caminho do conhecer a história para aprimorar o presente e ter mais sabedoria para desenhar o futuro.

Ficou curioso? Não deixe de ler o livro de Vizeu, mais do que recomendado para todos os brasileiros!

Assista ao Lauda 7 deste domingo, 7 de junho de 2020

No Lauda 7 você já sabe: a última página da sua semana tem muito mais informação! Fique por dentro dos destaques da semana de 31 de maio a 7 de junho de 2020. Em destaque:

► Cidades brasileiras realizam manifestações pró-democracia; ato em São Paulo tem confronto com bolsonaristas e intervenção da PM;
► Presidente ameaça usar Força Nacional para reprimir protestos;
► Governo Federal estuda prorrogar auxílio emergencial por mais duas parcelas;
► Ministério da Saúde modifica balanço epidemiológico da CoviD-19 e omite casos confirmados e óbitos;
► Esperança: laboratórios ingleses e americanos começam a testar vacina para o SARS-CoV-2. Cinco mil brasileiros farão parte do grupo de um dos grupos de testes;
► Novos atos pró e contra o governo são registrados em São Paulo neste domingo (7).

Vamos falar sobre cidadania e direitos humanos?

Conheça a Declaração Universal dos Direitos Humanos, proclamada em dezembro de 1948


No ano de 1948, o contexto global era de um planeta varrido pela guerra. Muito além dos danos materiais por conta dos conflitos armados, a recém-terminada Segunda Guerra Mundial deixou um legado lamentável de preconceito, separatismo e revanchismo em todos os países, direta ou indiretamente envolvidos nos embates bélicos. 

A Conferência de Yalta (1945) foi o primeiro encontro de líderes mundiais após a Segunda Guerra, e deu origem à Declaração Universal dos Direitos Humanos, ratificada três anos depois. A primeira-dama dos Estados Unidos, Eleanor Roosevelt foi uma das redatoras do texto. (Foto: Arquivo/United Nations)
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Assista ao Lauda 7 deste domingo, 31 de maio de 2020

Fique por dentro das principais notícias da política brasileira na semana de 24 a 31 de maio de 2020 com o Lauda 7. Confira nesta edição:

► Governador do RJ, Wilson Witzel, é alvo de operação que investiga desvios no combate à pandemia;
► Ativistas pró-Bolsonaro são alvos de operação que investiga ameaças aos ministros do Supremo Tribunal Federal;
► Governo de São Paulo flexibiliza quarentena por regiões a partir desta segunda-feira;
► MP-SP investiga pagamento adiantado por respiradores comprados e que ainda não foram entregues;
► Em parceria com a Space X, de Elon Musk, NASA faz primeiro lançamento em quase 10 anos e envia nave ‘Crew Dragon’ ao espaço.