Aviação civil ensaia retomada, mas aguarda apoio do governo

Setor foi um dos mais afetados pela pandemia e cobra por novas linhas de crédito


No Aeroporto de Hong Kong, um dos maiores terminais de passageiros da Ásia, os pátios de manobras se tornaram um grande estacionamento na imagem captada em abril (Foto: Reprodução/Maxar)

A aviação civil foi um dos setores da economia brasileira mais afetados pela pandemia da Covid-19. Tanto a procura por viagens aéreas domésticas como as internacionais tiveram queda brusca nos meses de março e abril. Embora os indicadores desse mercado nos meses de maio e junho sugiram uma retomada, a ausência de fluxo de caixa nessas empresas fez com que inúmeras medidas de redução de custos fossem adotadas. O temor de uma segunda onda também produz incertezas sobre o futuro desse mercado e seus próximos passos.

Um levantamento feito pelo monitor de tráfego aéreo FlightRadar24 e cedido ao portal de notícias G1 em abril, indicou um encolhimento de 64,86% no número de voos realizados no mundo em relação ao mês de março. Somente na América do Sul, o monitor indica uma retração de 80%.

Antes e depois do tráfego aéreo global na pandemia. Pontos amarelos no mapa mundi indicam aeronaves em operação (Infografia: FlightRadar24)
Antes e depois do tráfego aéreo na América do Sul na pandemia. Pontos amarelos no mapa mundi indicam aeronaves em operação (Infografia: FlightRadar24)

Os primeiros sinais da retração do mercado apareceram em março. Dados da Pesquisa Mensal de Serviços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostravam que o setor havia encolhido, em média, 6,9% na comparação com fevereiro. Especificamente nas companhias aéreas, a queda teve um percentual ainda mais alto: uma diminuição de 27% da atividade econômica. Posteriormente, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou a pandemia, a queda na procura por voos fez com que muitas empresas optassem por manter suas aeronaves em solo. Latam Airlines e GOL mantiveram, respectivamente, 95% e 70% dos seus aviões parados. Na Azul, a paralisação de 100 aeronaves da frota se deu em função da adoção de um protocolo sanitário que reduziu a capacidade operacional em 90%.

Assim como outros setores, a aviação aguarda esperançosa por um desfecho da crise de saúde para replanejar suas operações. Enquanto isso não acontece, as alternativas para manter as estruturas pré-existentes vão se tornando cada vez mais escassas diante das dificuldades para manter o fluxo de caixa, ou seja, a entrada de recursos que garantam a continuidade do pagamento de compromissos e salários. 

A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) divulgou um balanço em março que sugere que as empresas do setor tinham recursos para manter, em média, três meses de custos fixos. Embora o setor tenha sido beneficiado pela queda progressiva do preço do barril de petróleo – especialmente do tipo Brent – desde o começo de 2020, a queda não é suficiente para amenizar todos os prejuízos. O diretor-geral da IATA, Alexander de Juniac, alega que a responsabilidade pela travessia do setor à crise precisa ser compartilhada com os governos. “As companhias estão fazendo o possível para se manter enquanto executam a tarefa vital de conectar as economias globais. Enquanto os governos buscam medidas de estímulo, o setor aéreo vai precisar de consideração para reduzir impostos, taxas e aluguel de slots. São tempos extraordinários”, pontua.

De acordo com a assessoria de imprensa da Azul Linhas Aéreas, mais de 100 aeronaves permaneceram paradas no ápice da crise, nos terminais de Pampulha (MG) e Viracopos, em Campinas (SP) (Foto: Eduardo Knapp/Folhapress)

Socorro geral

Assim como os demais setores da economia, a aviação se beneficiou da edição da Medida Provisória 936, em abril, também chamada de Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e Renda. A MP que flexibiliza pontos da legislação trabalhista garantiu um respiro financeiro às companhias e a preservação de postos de trabalho nesse setor. O texto da lei foi aprovado pelo Congresso Nacional e sancionado, com vetos, pelo presidente Jair Bolsonaro nesta semana.

Por meio de sua assessoria de imprensa, a Latam declarou em maio que um acordo da empresa com os sindicatos garantiu que os empregos dos cargos com remuneração de até R$ 2 mil fossem preservados, junto aos benefícios já pagos aos colaboradores. Apesar disso, na última quinta-feira (2), a companhia demitiu 204 funcionários em seu Centro de Manutenção em São Carlos (SP).

A empresa recorreu a um Programa de Demissão Voluntária e ao sistema Licença Não-Remunerada, ambos negociados com o Sindicato Nacional dos Aeroviários (SNA). Nesta semana, a Latam Brasil, subsidiária nacional do Grupo Latam Airlines, também foi incluída no programa de recuperação judicial a que as demais partes do conglomerado aderiram nos Estados Unidos.

Já a Azul declarou ter implantado uma revisão de custos e ofertas de serviços e que acordou a aplicação da MP 936 junto com propostas de redução dos custos fixos, como a folha salarial. Embora a assessoria de imprensa da companhia tenha declarado anteriormente não planejar demissões, cerca de 500 funcionários da empresa relataram ao portal Aeroflap terem recebido uma carta e um e-mail no último dia 2 informando o desligamento de seus trabalhos.

De acordo com a apuração da Aeroflap, cerca de 300 demissões ocorreram em Campinas (SP) – sede da companhia e Aeroporto de Viracopos – e Barueri (SP), onde se localiza a divisão de formação de tripulantes. Desligamentos também foram registrados em Minas Gerais entre as equipes de trabalho nos aeroportos de Confins e da Pampulha, em Belo Horizonte e Ipatinga (MG) nas áreas de atendimento ao cliente e manutenção de aeronaves.

A empresa não confirma o número de colaboradores dispensados, mas o SNA diz que são cerca de mil trabalhadores demitidos em todo o país. Em entrevista à CNN Brasil, o CEO da companhia, John Rodgerson, afirmou que as demissões visam preservar o capital de giro da Azul e que pretende recontratar os funcionários tão logo a situação econômica melhore.

Na GOL, o anúncio de um “acordo inédito no mercado de aviação” promete valer para os próximos 18 meses. Voltado a comandantes, co-pilotos e comissários de bordo, o pacote de medidas inclui um programa de demissão voluntária e aposentadoria. Até o momento, não houve divulgação de dados sobre a quantidade de dispensas na companhia.

Resgate às companhias aéreas

Em outras partes do mundo, alguns países têm comprado participação em companhias aéreas privadas para injetar recursos e assim garantir a continuidade das operações. Na semana passada, por exemplo, a União Europeia aprovou um plano bilionário de resgate à empresa Lufthansa, da Alemanha. Serão € 9 bilhões – equivalente a R$ 54 bilhões – pagos pelo governo alemão em troca de 20% das ações da companhia. O financiamento integra um plano de ações mais amplo com previsão de quitação do empréstimo até 2026.

No Brasil, o Governo Federal articula um socorro por meio de uma parceria entre um sindicato de bancos privados coordenado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). De acordo com apuração feita pelo jornal O Estado de S. Paulo, o pacote de ajuda que pode variar entre R$ 4 bilhões e R$ 7 bilhões, vai atender as três maiores empresas nacionais – Latam, GOL e Azul. 

O investimento em debêntures é uma modalidade de investimentos com taxas de juros superiores aos de práticas tradicionais no mercado financeiro. Aplicação é tida como esperança no plano apresentado pelo governo. (Infografia: Kevin Kamada)

O plano prevê que as companhias emitam debêntures – pedaços da dívida de uma empresa vendidos em troca de empréstimo de dinheiro para uma outra empresa – para venda. Tais compras seriam divididas em três atores: investidores privados (30%), BNDES (60%) e bancos privados (10%). Para que a operação seja efetivada, as empresas deverão ter capital aberto na B3, a bolsa de valores de São Paulo. De acordo com o presidente do BNDES, Gustavo Montezano, os recursos “devem ser utilizados exclusivamente em gastos operacionais, sendo proibido o uso para pagamento de credores em outras dívidas”.

Se confirmado, cada companhia deve receber cerca de R$ 2 bilhões. Uma estratégia semelhante vem sendo articulada para também socorrer empresas de varejo não-alimentício e a Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer). Das três companhias, o caso visto com maior cautela é o da Latam, cujas operações são fruto da fusão entre a extinta TAM e a chilena LAN. A sede da companhia está no Chile e os negócios são fragmentados entre Brasil e Colômbia. Não há maiores detalhes sobre a operação por conta das regras de divulgação de informações financeiras por empresas de capital aberto listadas na B3.

Aéreas brasileiras sentiram impacto inicial da pandemia nos números do 1º trimestre. Mercado ensaia recuperação com o aumento de passageiros transportados em maio. (Infografia: Kevin Kamada)

Mercado financeiro está inseguro

Entre os investidores, o clima é de incerteza. Ao Estadão, um investidor de fundo de crédito que preferiu não se identificar destacou os riscos do investimento. Para ele, é “muito difícil colocar um preço nesses papéis diante do tamanho das incertezas que envolvem o setor”. 

Essa impressão negativa é confirmada por analistas do mercado financeiro, como a Associação Brasileira das Entidades do Mercado Financeiro e de Capitais (Anbima), que divulga o Índice de Debêntures da Anbima (IDA-DI). Em março, o IDA-DI encolheu 5%, sinalizando que o mercado financeiro está deixando de comprar títulos de empresas com grande risco, como a atual situação das companhias aéreas, e buscando opções mais seguras. 

Embora com os anúncios de manutenção de empregos entre maio e junho tenham acalmado os investidores, as empresas GOL e Azul, por exemplo, tiveram forte desvalorização de suas ações. As empresas retraíram, respectivamente, 50% e 65% em 2020.

Linha de crédito

Outra possibilidade aventada pelo setor aéreo é uma linha de crédito específica para as companhias. O presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), Eduardo Sanovicz, comenta que a entidade entrou com pedido junto ao BNDES para um empréstimo, considerada a melhor estratégia. “A aviação tradicionalmente é contra subsídio ou ajudas a fundo perdido, pois não entendemos isso como correto. Pedimos empréstimos e pagamos nossas dívidas”, pontua. 

No início de junho, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, confirmou que o projeto está em estudo. À Rádio Bandeirantes, Freitas comentou que as aéreas já estavam se organizando para cumprir os requisitos e ter acesso ao financiamento. “O crédito é fundamental para que as companhias suplantem esse período. O BNDES tem trabalhado nisso, já tem um programa de crédito formatado que está em execução”, comentou o ministro.

É fundamental para a mobilidade dos brasileiros e atender demandas muito importantes das pessoas em um país que se você não andar de avião, algumas vezes o plano B é andar de barco por mais de um dia, especialmente na Região Norte do país

eDUARDO SANOVICZ | PRESIDENTE DA ABEAR

Financiamentos e projeção

Diversos fatores serão determinantes para contar como será a recuperação do mercado aéreo. A cotação do dólar, o preço do querosene de aviação e a demanda por passageiros são os três principais componentes dessa conta. Na opinião de Eduardo Sanovicz, a situação das aéreas no Brasil é grave e preocupa pelo fato de a aviação ser um ambiente bastante oneroso. 

Sanovicz comenta que o foco está na linha de crédito solicitada pelas empresas junto ao BNDES. “O nosso desafio é o tamanho e a musculatura que as empresas terão após a crise, porque isso está vinculado à qualidade e profundidade das ações do governo federal em atendimento às demandas que fizemos, particularmente as demandas econômicas, entre as quais se destaca uma linha de crédito que pedimos ao BNDES que segue em debate entre as empresas e o banco”, observa.

De acordo com a IATA, pelo menos US$ 61 bilhões em passagens aéreas deverão ser reembolsados no segundo trimestre em todo o mundo (Foto: Edilson Dantas/Agência O Globo)

Aviação regional

Em meados de junho, Latam e Azul anunciaram um acordo de codeshare, modalidade em que passageiros das duas empresas têm acesso aos destinos e frotas de ambas as empresas, pontuando normalmente nos programas de milhagem de cada companhia. Ao Valor Econômico, uma fonte oficial ligada ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) declarou que a parceria não deve sofrer restrições pela entidade. “Não faria sentido pensar em concorrência e preços neste momento, e em que a prioridade é a sobrevivência das empresas. É melhor um avião voando do que dois no chão”, afirmou sem se identificar.

Inicialmente, o codeshare entre as empresas vai proporcionar o atendimento a 50 destinos. John Rodgerson e Jérome Cadier, CEOs da Azul e Latam, respectivamente, destacaram em entrevista ao portal UOL que a parceria vai evitar a sobreposição de rotas e favorecer a complementaridade de rotas.

Para Eduardo Sanovicz, a esperança da retomada pode estar em uma política de aviação regional, um projeto que em sua visão tem grande potencial para atender à necessidade de deslocamento no interior do Brasil. “É fundamental para a mobilidade dos brasileiros e atender demandas muito importantes das pessoas em um país que se você não andar de avião, algumas vezes o plano B é andar de barco por mais de um dia, especialmente na Região Norte do país”, explica. O projeto deve ser apresentado pela Abear nos próximos meses.

Seu ‘Lauda 7’ de domingo, 5 de julho de 2020

Chegou a hora de se atualizar os principais fatos e acontecimentos da política brasileira na semana de 28 de junho a 5 de julho de 2020. O Lauda 7 já está no ar e no programa 18 você confere:

► Após cinco dias no cargo, Carlos Decotelli pede demissão do MEC;
► Auxílio emergencial será prorrogado por duas parcelas de R$ 600;
► Operação da PF no Amazonas mira indícios de desvio de recursos na compra de respiradores para o enfrentamento à pandemia;
► Senador José Serra é denunciado por lavagem de dinheiro;
► Atualização dos casos de Covid-19 no Brasil

O que são as bancadas temáticas da Câmara e o que é Centrão?

Para entender como funciona o jogo político dentro do Congresso Nacional


A Câmara dos Deputados é uma das casas legislativas do Congresso Nacional. É o local de trabalho dos 513 deputados federais eleitos pela população a cada quatro anos. Como já explicamos por aqui, esses parlamentares são encarregados de propor ideias que se tornem em leis, aperfeiçoar as legislações já existentes e apreciar projetos e medidas provisórias apresentadas pela presidência da República. Mas em um espaço com tantas pessoas, como funciona a articulação para se chegar a consensos?

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Seu ‘Lauda 7’ de domingo, 28 de junho de 2020

Chegou a hora de atualizar os principais acontecimentos do noticiário político brasileiro na semana de 21 a 28 de junho de 2020. Assista ao ‘Lauda 7’ de hoje, que traz entre outros destaques:

► Bolsonaro nomeia Carlos Decotelli para comandar o MEC;

► Senado aprova novo marco do Saneamento Básico;

► Governo firma parceria com Universidade de Oxford para produção local de vacina promissora contra o novo coronavírus;

‘Os Presidentes’ para conhecer a formação da política brasileira nos últimos 130 anos

Livro do jornalista Rodrigo Vizeu é desdobramento de podcast que fez sucesso em jornal


Certo dia, assistindo a um documentário que, em breve, também será tema de uma resenha por aqui, permaneci reflexivo por um bom tempo ao ouvir o narrador do programa cravar um dado importante mas que jamais tinha parado para calcular: somente metade dos presidentes do Brasil foram eleitos pelo povo e apenas de um terço deles concluíram seus mandatos. A profundidade dos números impressiona. Sabemos que a democracia no Brasil foi construída a duras penas sobre episódios de autoritarismo e rupturas institucionais, mas pouco paramos para refletir em quanto tempo isso se refletiu na história.

Na escola, estudamos intensamente e sob diferentes matizes alguns períodos como o Brasil Colônia, o Brasil Império, a República da Espada, a República Oligárquica, o Estado Novo e outros períodos políticos que moldaram a sociedade e a cidadania nacional como as conhecemos. Mas o que levou à ruptura entre uma fase e outra? Qual foi a conjuntura de cada governo que permitiu o encerramento de um ciclo e o início de outro? Bem, ganhamos um importante aliado para ajudar a nos entender tudo isso.

No segundo semestre de 2018, a emergente cultura do podcasting no Brasil trouxe à luz um informativo semanal muito bacana produzido pelo jornal Folha de S. Paulo. O “Presidente da Semana” teve a editoria do jornalista Rodrigo Vizeu para contar, resumidamente, o mandato de cada um dos chefes do Poder Executivo, desde a Proclamação da República. O produto se tornou um sucesso, e tão logo o conturbado período eleitoral que corria em paralelo terminasse, deu espaço a um livro. “Os Presidentes: a história dos que mandaram e desmandaram no Brasil, de Deodoro a Bolsonaro” foi publicado em 2018, pela editora Harper Collins.

Como quase jornalista, acredito que em termos de narrativa, não há nada comparável a um livro. Mas entre essas obras, existem diferenciais importantes que tornam uma leitura mais interessante do que outras. De pronto, Vizeu revisita os 130 anos da República, período em que o Brasil já foi comandado por quase 40 presidentes diferentes.

O livro está disponível nas principais livrarias em versão física, por R$ 33,90, e digital pelo e-reader Amazon Kindle (Foto: Reprodução)

O primeiro desafio que imaginei para “Os Presidentes” foi o fato de que, salvas raras exceções, não existem grandes ciclos de governo na história, e que seria difícil escrever sobre um período tão longo. Todos sabemos que a descontinuidade de políticas públicas é uma marca lamentável dos governos no Brasil. Mas a obra segue por um caminho diferente. Vizeu buscou explorar as minúcias – até mesmo da vida particular – dos brasileiros que ocuparam a cadeira presidencial.

O jornalista utiliza as palavras para caracterizar um extenso trabalho de levantamento de informações sobre todos os governos de 1889 a 2019. Aqui se destaca uma virtude de Rodrigo Vizeu ao garantir um material bastante plural e bem articulado, que relaciona com maestria uma coloquialidade de texto e a diversidade de fontes. O livro tem um estilo que varia entre a formalidade exigida para a narração dos fatos no jornalismo e alguns pitacos bem humorados que tornam “Os Presidentes” um material único. Sou testemunha de que esta é uma leitura proveitosa para uma tarde de domingo.

O tomo de 336 páginas tem leitura rápida quando percebemos, graças a uma sacada do autor, como os 33 capítulos de histórias estão inter-relacionadas. Acontecimentos e personagens que se repetem, desfechos inesperados, os fatos crus e diretos tal como aconteceram. Naturalmente, podemos notar um viés interpretativo bastante marcante, e que contribui para que haja uma ponte leve e até mesmo bem-humorada entre os mandatos que Vizeu conta.

Lugares-comuns costumam ser peremptórios, não dando margem a transigências. Quem vê a política e a história sob o prisma das certezas absolutas prefere enxergar o mundo em termos de heróis ou vilões, bons e maus, amigos e inimigos. Não desfruta das nuances que tornam os personagens e os momentos históricos mais instigantes.

OS PRESIDENTES (2019), P. 14

“Os Presidentes” é um material muito interessante de consulta para quem quer estar por dentro do que aconteceu no passado e determinou os caminhos que levaram à formação política atual do nosso país. No Brasil, os acontecimentos se repetem de forma surpreendentemente constante nos mandatos presidenciais, diga-se de passagem. É o caminho do conhecer a história para aprimorar o presente e ter mais sabedoria para desenhar o futuro.

Ficou curioso? Não deixe de ler o livro de Vizeu, mais do que recomendado para todos os brasileiros!

Assista ao Lauda 7 deste domingo, 7 de junho de 2020

No Lauda 7 você já sabe: a última página da sua semana tem muito mais informação! Fique por dentro dos destaques da semana de 31 de maio a 7 de junho de 2020. Em destaque:

► Cidades brasileiras realizam manifestações pró-democracia; ato em São Paulo tem confronto com bolsonaristas e intervenção da PM;
► Presidente ameaça usar Força Nacional para reprimir protestos;
► Governo Federal estuda prorrogar auxílio emergencial por mais duas parcelas;
► Ministério da Saúde modifica balanço epidemiológico da CoviD-19 e omite casos confirmados e óbitos;
► Esperança: laboratórios ingleses e americanos começam a testar vacina para o SARS-CoV-2. Cinco mil brasileiros farão parte do grupo de um dos grupos de testes;
► Novos atos pró e contra o governo são registrados em São Paulo neste domingo (7).

Vamos falar sobre cidadania e direitos humanos?

Conheça a Declaração Universal dos Direitos Humanos, proclamada em dezembro de 1948


No ano de 1948, o contexto global era de um planeta varrido pela guerra. Muito além dos danos materiais por conta dos conflitos armados, a recém-terminada Segunda Guerra Mundial deixou um legado lamentável de preconceito, separatismo e revanchismo em todos os países, direta ou indiretamente envolvidos nos embates bélicos. 

A Conferência de Yalta (1945) foi o primeiro encontro de líderes mundiais após a Segunda Guerra, e deu origem à Declaração Universal dos Direitos Humanos, ratificada três anos depois. A primeira-dama dos Estados Unidos, Eleanor Roosevelt foi uma das redatoras do texto. (Foto: Arquivo/United Nations)
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Assista ao Lauda 7 deste domingo, 31 de maio de 2020

Fique por dentro das principais notícias da política brasileira na semana de 24 a 31 de maio de 2020 com o Lauda 7. Confira nesta edição:

► Governador do RJ, Wilson Witzel, é alvo de operação que investiga desvios no combate à pandemia;
► Ativistas pró-Bolsonaro são alvos de operação que investiga ameaças aos ministros do Supremo Tribunal Federal;
► Governo de São Paulo flexibiliza quarentena por regiões a partir desta segunda-feira;
► MP-SP investiga pagamento adiantado por respiradores comprados e que ainda não foram entregues;
► Em parceria com a Space X, de Elon Musk, NASA faz primeiro lançamento em quase 10 anos e envia nave ‘Crew Dragon’ ao espaço.

‘Há uma enorme confusão entre ideologia e meio ambiente’, diz o deputado federal Rodrigo Agostinho

Parlamentar criticou a agenda ambiental do Governo Federal e comentou atividades da comissão que preside na Câmara


O ano de 2019 foi marcado por três grandes tragédias ambientais assolaram o Brasil. Logo no mês de janeiro, o rompimento de uma barragem em Brumadinho (MG) vitimou ao menos 270 vidas varridas pela lama de rejeitos de minérios pela mineradora Vale. Em agosto, o derramamento do óleo transportado por um navio no Nordeste fez com que as manchas do produto se espalhassem por mais de três mil quilômetros do litoral brasileiro, atingindo diversas reservas marinhas. Na Floresta Amazônica, os indicadores também foram bastante ruins: o desmatamento na região foi 85,3% maior em comparação com 2018.

Paralelamente aos desastres, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) articulava no Congresso Nacional a adoção de uma polêmica nova agenda ambiental, alinhada à política econômica do Governo Federal. Ao longo dos últimos 18 meses, questões como a flexibilização da demarcação de terras indígenas, a transferência da Fundação Nacional do Índio (Funai) entre os Ministérios da Justiça e o da Família, e a regularização de propriedades rurais mais extensas (MP 910) centralizaram os debates das comissões no parlamento.

O deputado federal Rodrigo Agostinho (PSB-SP) é presidente da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (CMADS), na Câmara dos Deputados, um dos polos de fiscalização e questionamento às propostas apresentadas pelo Poder Executivo. Agostinho também integra a Frente Parlamentar Ambientalista, grupo de congressistas que já iniciou 2020 com a missão de cobrar explicações para temas como a preocupante escalada do desmatamento na Floresta Amazônica. O deputado conversou com o POLITICANDO sobre este e outros temas que marcaram a legislatura no ano passado, e os desafios que se apresentam aos parlamentares em 2020.

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