O que foi a “República Oligárquica” no Brasil?

Também chamada de “República do Café com Leite”, período foi marcado pela hegemonia dos estados de SP e MG na presidência da República


A história do Brasil pode ser segmentada em grandes partes com alguns personagens dominantes que nos ajudam a entender a formação da política atual. Um dos capítulos mais marcantes nessa trajetória é a República Oligárquica, um período entre os anos de 1894 e 1930 em que os presidentes eram eleitos com base em uma forte influência dos fazendeiros dos estados de São Paulo e Minas Gerais. “Oligarquia” é um verbete oriundo do grego ολιγαρχία, que significa “governo de poucos”. Esses poucos membros da elite com poder político também eram chamados de “coronéis”, pela autoridade econômica que representavam em suas regiões graças ao cultivo paulista de café e da pecuária mineira produtora de leite. Esses dois produtos compunham a força-motriz da economia brasileira na época.

O coronelismo foi um dos pilares da hegemonia das oligarquias no interior do Brasil. O programa “Cultura Retrô” revisitou um episódio do “Telecurso 2º Grau” nos anos 1970 que ajuda a entender como isso funcionou (Vídeo: Reprodução/TV Cultura/FPA)

Os aristocratas rurais do sudeste mantinham, além da ambição com proventos financeiros, o desejo de se fazerem presentes também na política. Outros fatores também tinham grande influência nesses planos, como o fato de o estado mineiro ser o maior colégio eleitoral daquele período. Assim, as elites cafeicultora e leiteira estavam mobilizadas em dois grandes partidos. Do lado de São Paulo, o Partido Republicano Paulista (PRP), e o Partido Republicano Mineiro (PRM), por Minas Gerais. PRP e PRM firmaram um “acordo de cavalheiros”, e por muitos pleitos combinaram a indicação de um único candidato à presidência da República para representar os estados. Essa combinação foi apelidada pelos historiadores como “Política do Café com Leite” ou “Política dos Governadores”.

As casas que abrigavam a administração e a residência dos donos das fazendas de cultivo de café chamam atenção por sua imponência e arquitetura colonial. Na imagem, a Fazenda Ibicaba de Cordeirópolis (SP), que pertenceu ao senador Nicolau Vergueiro (Foto: Arquivo Pessoal/Sérgio Zweiger)

É interessante frisar que as eleições nessa época eram bastante diferentes do modelo que conhecemos atualmente. Regulado apenas pela Constituição de 1891, o sistema eleitoral brasileiro determinava sufrágio universal masculino, ou seja, somente homens acima de 21 anos poderiam votar. Analfabetos, soldados de baixa patente e mendigos ficavam de fora do processo. Mas a característica mais importante a ser observada é que o voto não era secreto, uma brecha que permitia manipulação dos votos e a intimidação dos eleitores. Um exemplo marcante disso é a ocorrência do “voto de cabresto”, principalmente nas regiões mais interioranas do Brasil.

A alternância entre os estados durou até 1930. Naquele ano, a eleição foi marcada por acusações de fraude no processo eleitoral que levaram o paulista Júlio Prestes ao cargo. Seu adversário no pleito, o gaúcho Getúlio Vargas, não aceitou o resultado e iniciou um movimento junto com militares que realizou um golpe político para assumir o poder. O período que ficaria conhecido como a Era Vargas (1930-1945) pôs fim ao domínio das oligarquias na presidência.

Autor: Kevin Kamada

Estudante de graduação em Jornalismo pela Universidade Estadual Paulista (Unesp).

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